quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Vida em fragmentos... #02


"O tempo seca a saudade
Seca as lembranças e as lágrimas
Deixa algum retrato, apenas,
Vagando seco e vazio
Como estas conchas das praias."

❤️
Cecília Meirelles

Imagem retirada daqui.

terça-feira, 21 de julho de 2015

A aldeia sagrada {Francisco Marins}


Livro: A aldeia sagrada (1993) 
Série: Vaga-Lume 
Autor: Francisco Marins 
Editora: Ática  
Idioma: Português 
Número de páginas: 106 
Gênero: Infanto-juvenil; História
Avaliação: ****

Didico é um menino órfão que vive com seus padrinhos no Corumbê, um pedaço de terra onde eles podem plantar pra sobreviver. Seu padrinho, conhecido como Chico-Vira-Mundo, está sempre andando pelo mundo em busca de melhores oportunidades, deixando o menino responsável pelo sítio e pela sua Madrinha Donana, uma senhora já velha e doente. A seca está chegando e diversos sertanejos já abandonaram suas terras. A falta de trabalho, as plantações secando, a água chegando ao fim... levam à fome e ao desespero aquela gente simples do sertão castigado. 
Chico então resolve ir para o Acre, onde há promessa de riqueza nos seringais, e deixa Didico mais uma vez responsável por tudo. Após a sua partida, o menino tem de lidar com uma série de problemas e, consequentemente, perdas, o que o obriga a deixar o Corumbê e seguir com seu fiel amigo Tigüera rumo ao desconhecido. No caminho, ele encontra a família de Juviara e vai em busca de uma vida melhor em outro lugar. Nas caminhadas pelo sertão, Didico e seus amigos têm de passar por privações e situações de perigo para sobreviver. E é nessas andanças que ele tem seu primeiro contato com um velhinho enigmático e pregador conhecido como “santo” Conselheiro.
❤️ “Nunca imaginara que um dia pudesse invadir uma propriedade alheia e lembrava-me das palavras de padrinho repetindo um livro de rezas. Não matar! Não roubar! Aquilo deixava-me o rosto afogueado. Tive vontade de abandonar tudo e sair correndo. Era preferível morrer de fome a tirar o que pertencia a outrem... Não roubar. Não roubar! Senti que lágrimas caíam pelo meu rosto.” ❤️
Didico acaba crescendo ao lado da sua nova família e, após uma série de acontecimentos e descobertas, a história ganha um novo rumo, mostrando as batalhas travadas entre o Governo e os "jagunços" de Antônio Conselheiro.
Didico, Juviara e Barnabé (este fora amigo do pai do menino, Virgílio Ribeirão, e teriam trabalhado juntos no transporte da pedra do Bendengó, um bloco de ferro que supostamente teria caído do céu e que todos chamavam de “meteorito”) acabam envolvidos em uma outra "aventura" no Arraial de Canudos, e a partir daí muita coisa acontece.
❤️ “Felizmente, horas depois, quando fizemos pequena parada para descanso, ouvi uns ganidos próximos. Procurei por ali e encontrei o cãozinho, que vinha se arrastando com dificuldade pelo caminho, tentando seguir os nossos rastos. Estava com o corpo cheio de machucaduras sangrentas. Abracei-o com grande alegria e carreguei-o no colo.” ❤️
- Os animaizinhos sempre sendo um alento nos momentos mais difíceis! -  

A leitura desse livro foi meio arrastada porque foi sofrida. Sofri com a situação da criança, dos animais, das pessoas sendo obrigadas a deixar sua terra... e sofri por imaginar que isso ainda acontece. Gostei da abordagem feita à Guerra de Canudos. Gostei da crítica social. Gostei da referência ao Euclides da Cunha no final do livro. Isso tudo aguça a curiosidade do leitor em relação aos fatos aqui narrados e facilmente você vai se pegar em pesquisa sobre o assunto, sejam filmes ou outros livros e artigos.
As ilustrações desse livrinho acredito serem as mais fantásticas da Série Vaga-Lume. São de doer no coração!!! É uma leitura muito boa, não só para os pequenos, mas pra gente de qualquer idade! ;)


❤️ “Ainda hoje, depois de tantos anos passados, me recordo de quase todos os acontecimentos daqueles dias. É verdade que a gente se esquece mais depressa dos maus momentos da vida. Assim é muito melhor. Para que guardar sempre a lembrança das desgraças?” ❤️
 ❤️ “Continuando a caminhada lembrei-me, mais uma vez, da minha terrinha. A serra, distante, dourando aos poucos e o céu tornando-se muito azul. Depois, toda a vegetação se incendiando de luz.
Manhãs lindas as do Corumbê. Meu chão de infância, que jamais podia esquecer.”
❤️

As imagens foram retiradas daqui, daqui, daqui e daqui.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A primavera...


Faz tempo que não venho aqui. Tenho me sentido tão seca e vazia que às vezes penso que nem vale a pena parar e pensar sobre mim, sobre a minha vida... Na verdade, nem tenho sentido muito prazer em nada. O mundo segue e a gente segue junto, mas às vezes está tudo tão cinza ao redor que chega a doer no peito olhar o dia e não sentir a vida.
Mesmo as coisas que amo têm sido difíceis de fazer...
Ando refletindo muito. Não é possível que alguém passe pela vida desse jeito. Isso não é possível! Ninguém merece sentir dor o tempo todo. Peço em silêncio que essa dor desapareça, suma, mesmo que aos poucos, do meu coração pra que eu possa enxergar tudo com mais clareza. E assim, sigo acreditando que um dia a primavera vai chegar...

Imagem retirada daqui.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Vida em fragmentos... #01


"Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância."
❤️
Ferreira Gullar


Hora de retomar a semana. Estou cheia de metas e expectativas. Espero conseguir cumpri-las para seguir em frente sem tantos medos nem angústias. 

#hope #faith

Imagem retirada daqui

quinta-feira, 12 de março de 2015

O amuleto de jade {Sue Peters}

O amuleto de jade - Bianca 164
(Sue Peters)
Série Paraíso Selvagem, Livro 01
Ano: 1983
Editora Abril
128 páginas.


"Quando seu irmão Robin desapareceu na Ásia, em algum ponto das florestas de Burma, Laura ficou desesperada e voou para lá imediatamente, para tentar encontrá-lo. Não podia imaginar, porém, que esbarraria na má vontade de William Wieland, um famoso colecionador de antiguidades que parecia preocupado apenas com o amuleto de jade, desaparecido junto com Robin. Como um deus todo poderoso, William impediu de todas as formas que Laura participasse das buscas. Sua atitude era tão suspeita, e tinha uns amigos tão misteriosos, que ela começou a desconfiar de que ele sabia muito mais do que dizia. Quem podia garantir que Laura não estava nas mãos do sequestrador, talvez até do assassino de seu irmão?"

Laura é neta de Luke Barclay, fundador da Casa Barclay, uma grande loja de antiguidades com filiais por todo o mundo. Ao retornar de uma viagem de negócios à América do Sul, Laura recebe uma carta de Robin, seu irmão, dizendo que o amuleto de Kang, uma peça muito valiosa e antiga, havia sido roubado e que ele iria ao interior do país em busca da peça, não dando mais notícias após quatro semanas. Na sua correspondência, Robin pede a Laura que procure por William Wieland, um colecionador e cliente antigo da Barclay, para que possa ajudá-la no que for necessário. Mas William, desde o primeiro contato, não se mostra muito disposto a colaborar. Então Laura segue sozinha até Kaul para tentar buscar mais informações com o gerente da loja que mantinha contato com seu irmão até o desaparecimento e talvez encontrá-lo.
Em quase todos os momentos de Laura em Kaul, William se põe em seu caminho para impedi-la de fazer sua busca, afirmando que a Força de Segurança Internacional está cuidando de tudo. William é uma figura muito influente e consegue intervir em tudo, inclusive onde Laura ficará hospedada. Como está acontecendo um encontro científico muito importante, também organizado por William, todos os hotéis estão lotados e Laura é obrigada a aceitar a hospedagem no Consulado. Nos dias que se seguem, Laura faz o possível para driblar o seu opositor e sua vigilância na tentativa de fazer algo pelo irmão.

William parece um homem encantador, enigmático, que mesmo com a marcação cerrada, trata Laura como um verdadeiro cavalheiro deve fazer. Exceto quando insiste em beijá-la repentinamente ou quando resolve provocá-la em alguma situação. 
Laura é uma mulher impulsiva e determinada, que não é vencida facilmente e fará de tudo para encontrar o seu irmão.

Achei um romance muito chato, não tinha vontade alguma de lê-lo. Terminei porque não sei deixar livros sem finalizar e porque foi a minha primeira escolha do desafio de banca desse ano. Mas foi um livro que me irritou profundamente!!!
 A protagonista, apesar de em alguns momentos se mostrar bastante determinada, é uma chata que esquece completamente do pobre do irmão quando se volta para o seu "romancezinho". Ao passear pela cidade com William, ao estar ao lado dele em um baile, ela simplesmente esquece a possibilidade de seu irmão estar correndo perigo na floresta ou até mesmo estar morto.
William vive perseguindo Laura, mas insiste em guardar para si os motivos de não passar qualquer informação sobre o andamento das investigações e buscas.
O romance entre os dois acontece muito rápido. Ela o vê e se apaixona instantaneamente, fazendo aquele drama porque jamais será possível se casar com ele porque ele nunca vai sentir nada por ela e tal, choramingando constantemente.
Eu simplesmente não entendo como alguém pode fazer drama por algo tão inconsistente assim.
As partes de mistério, que poderiam salvar o livro, são mal construídas. Em poucos momentos eu me peguei questionando "quem será de verdade tal personagem?", ou "por que algo aconteceu de determinada forma?" Mas nada que realmente empolgasse.
A graça do livro fica por conta do gerente substituto da loja da Barclay em Kaul. Um personagem bem simpático, inteligente, sempre colocado nos momentos certos. :)

Enfim, depois de muitas trapalhadas e desencontros, o final (bem corrido, por sinal) traz suas surpresas e soluções.

Esse livrinho foi relançado e faz parte de uma série de múltiplas autoras:

Série Paraíso Selvagem:
Livro 01 - Sue Peters, O amuleto de jade (Jade)
Livro 02 - Sara Craven, Um sonho impossível (Flame of diablo)
Livro 03 - Sandra Clark, Lobo selvagem (The wolf man)
Livro 04 - Margaret Mayo, Inferno de prazer (Tormented love)

terça-feira, 10 de março de 2015

O pensamento voa {Lucy Eyre}

O pensamento voa - Descobrindo o prazer da filosofia
(Lucy Eyre)
Editora Rocco
Ano: 2007
255 páginas.
❤️❤️❤️❤️

"Quando os filósofos morrem, não vão nem para o paraíso nem para o inferno, vão para o Mundo das Ideias.
Sócrates é o presidente desse mundo metafísico há milhares de anos, mas nos últimos tempos tem enfrentado uma oposição ferrenha de Wittgenstein. O primeiro acredita que a filosofia é para todos e deixa vários pensadores entrarem no Mundo das Ideias, já o segundo diz que a filosofia de verdade só pode ser praticada por especialistas, e defende regras mais rígidas de admissão.
Para colocar um ponto final na disputa, eles fazem uma aposta: Sócrates terá que provar seu argumento ensinando as principais teorias filosóficas a um menino qualquer,que nunca ouviu falar em ética, estética, epistemologia e metafísica.Se conseguir, Wittgenstein dará o braço a torcer. Se não, Sócrates renunciará a presidência.
Sem saber que o futuro do Mundo das Ideias está em suas mãos, Ben fará um passeio pela história da Filosofia. Guiado por Lila, a assistente de Sócrates, ele será apresentado às correntes mais importantes do pensamento ocidental e aprenderá uma nova maneira de ver a realidade." 

“Por que as pessoas desconfiavam tanto da filosofia? Faça com que se sintam mais inteligentes e elas o amarão; procure fazer com que pensem e elas o odiarão.” 
Sócrates
O Mundo das Ideias é o lugar para onde vão os filósofos quando morrem. Sócrates é o presidente de lá, ocupando o cargo há um tempo recorde de 2.109 anos. Mas agora ele está sendo questionado e afrontado por Ludwig Wittgenstein, que se coloca totalmente contra a filosofia que ele prega e seus métodos de trabalho. Enquanto Sócrates acha que a filosofia pode estar ao alcance de todos e mudar a vida de pessoas comuns, Wittgenstein afirma que isso não é possível e que a filosofia deve ser algo exclusivo de uma pequena camada devidamente instruída e preparada para seus ensinamentos. Devido a tanta discussão, os dois resolvem fazer uma aposta. Sócrates fica então com a tarefa de tentar ensinar os preceitos básicos da filosofia para um humano (ainda vivo) e fazer com que esses ensinamentos mudem a vida dessa pessoa para melhor. Se ele não conseguir, deve renunciar ao cargo; caso contrário, segue na presidência por ainda longos anos.

Ludwig Wittgenstein
A tarefa é encaminhada a Lila, assistente de Sócrates, que deve achar a pessoa ideal, já que o escolhido não deve ter muito conhecimento sobre o assunto, nem deve saber sobre a aposta.
Lila Frost é uma jovem que chegou ao Mundo das Ideias aos 24 anos de idade, após um acidente de carro. Ela graduou-se em Filosofia, quando viva, e tem um pensamento filosófico aguçado, o que lhe rendeu um lugar privilegiado ao lado do presidente.
Em seu processo de escolha, Lila passa a observar o jovem Ben Warner em suas atividades na Terra. Ben é um adolescente de 15 anos que em suas férias de verão arruma um trabalho temporário na Lanchonete do Senhor. Ele mora com os pais e suas duas irmãs mais novas Katie e Matty, além do seu cachorrinho Whistle. Ele tem uma vida comum, com preocupações normais da adolescência.
Uma das coisas que chama a atenção de Lila no recrutamento é o fato de ela, na sua primeira visita a Ben, poder ter a oportunidade de comer batatas fritas na Lanchonete do Senhor, e isso, acreditem, pesa muito na sua escolha. Eu não a culpo de forma alguma! No Mundo das Ideias as comidas têm o mesmo sabor, e as batatas fritas já começam a gerar uma discussão sobre a percepção do sabor para diferentes pessoas.
Ben então é escolhido e passa a fazer visitas temporárias e constantes ao Mundo das Ideias, com acesso direto de dentro do armário de toalhas da sua casa. :)

A cada visita, um debate acontece, fazendo Ben refletir de forma filosófica sobre assuntos cotidianos. Logo no início, há uma conversa sobre a percepção do mundo material, e o exemplo da água quente e fria é fantástico, assim como das cores. São discutidos temas como o certo e o errado, a mente e a matéria, o que é o "eu"?, a felicidade, determinismo e livre-arbítrio etc.
A sequência do simpósio sobre a felicidade é muito divertida. Há um embate entre um poeta e os filósofos, sendo o primeiro expulso antes de finalizar o seu discurso, com a plateia jogando pãezinhos e praguejando, e também o aguardado discurso de ninguém mais ninguém menos que Buda.
O debate, já no final do livro, sobre determinismo e livre-arbítrio foi o meu favorito porque o tema me interessa bastante, e acredito que foi um dos pontos que mais mexeu com a cabeça de Ben, junto com a questão da possível ilusão do mundo material. 
“[...] a prova que temos da existência do mundo exterior passa pelos nossos sentidos. Então, se pudermos duvidar do que dizem nossos sentidos, o que de fato podemos, duvidamos também de toda nossa experiência no mundo exterior.” 
Há algumas partes bem engraçadas na narrativa, como as atividades de Wittgenstein para sabotar a experiência de Sócrates, ou quando ele procura Maquiavel, que é um consultor completamente inescrupuloso e que valoriza muito o dinheiro, para pedir conselhos mas não tem como pagá-lo. A suposta "quedinha" de Aristóteles por Simone de Beauvoir, com quem joga gamão há 25 anos na biblioteca. E o surto de Pitágoras na porta do restaurante, onde tenta sempre fazer com que o feijão seja retirado do cardápio. :D

O livro é escrito de uma forma muito bem-humorada, divertida, a gente nem sente o tempo passar. A escrita é legal. O texto não é complicado de compreender, mesmo pra quem não tem muito conhecimento sobre filosofia. As situações são bem divertidas, além de uma pincelada de um impossível romance entre Ben e Lila. É um livro para leitores de qualquer idade.
O final é que deixou um pouco a desejar, pois tudo acaba acontecendo muito rápido e eu fiquei com a sensação de que as coisas não encaixaram, de que algo ficou faltando.
Enfim, vale muito a pena a leitura!

Vagueando pela net, vi que esse livro foi também lançado em Portugal com o título "O dia em que Sócrates vestiu jeans".


Sobre a autora:

Lucy Eyre nasceu e cresceu em Londres e é formada em Filosofia pela Universidade de Oxford.
Trabalhou como salva-vidas, guia de teatro, pesquisadora de rádio e TV e consultora de economia. Ela sempre quis escrever. O pensamento voa é seu primeiro livro. 
De 2005 a 2008, Lucy viveu em Addis Abeba, na Etiópia, com seu marido. Atualmente, ela está terminando um romance vagamente baseado nessa experiência.
Lucy vive em Londres com seu marido e filha.

Site da autora: http://www.lucyeyre.net/ 

Uma canção para este livro:


(Perfeita para Lila & Ben!) ❤️ ;)
As imagens foram retiradas daqui, daqui, daqui e daqui.
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